Thursday, October 22, 2015

Discurso de Abertura da Chefe da Bancada do Partido Renamo





Discurso de Abertura da II Sessão Ordinária
VIII Legislatura da Assembleia da República

Prezados Membros da Comissão Permanente,
Senhores Deputados da Assembleia da República,
Distintos Titulares e Representantes de Órgãos de Autoridades Administrativas, Civis, Académicas e Religiosas,
Prezados Membros do Corpo Diplomático,
Estimados  Jornalistas,
Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Excelências,
Inicia hoje, a II Sessão da VIII Legislatura do mais alto órgão legislativo de Moçambique, a Assembleia da República, onde constitucionalmente 250 Deputados representam todo o povo moçambicano, nos seus anseios e na fiscalização da gestão da coisa pública.
Para esta sessão parlamentar, a Bancada da Renamo propôs a Revisão pontual da Constituição da República, bem como a proposta de criação de uma Comissão de Inquérito Parlamentar para investigar a empresa EMATUM. Nós, Deputados da Renamo, estamos disponíveis para debater estas e outras matérias arroladas para a presente sessão de modo que se salvaguarde o interesse nacional que é a razão de ser da nossa presença nesta Magna Casa do Povo. Todavia, antes de prosseguirmos com esta nossa comunicação queremos saudar a todo povo moçambicano, pela sua paciência e resistência à tão má governação dos últimos 40 anos, caracterizada por desrespeito dos mais básicos Direitos Humanos como sejam saúde, educação, alimentação e habitação. Este povo sofrido resistiu e continua resistindo num ambiente de desemprego, discriminação com base na cor partidária e falta de equilibradas oportunidades sócio-económicas.
Saudamos o nosso Líder, grande lutador pela Democracia, que muitas vezes sacrificando-se encarna os mais altos anseios do povo moçambicano. Falamos de Sua Excelência Afonso Macacho Marceta Dhlakama, Presidente do Partido Renamo, signatário dos acordos Geral de Paz, de 4 de Outubro de 1992, e de Cessação de Hostilidades Militares, de 5 de Setembro de 2014. Sem o bom senso e visão estratégica deste querido filho do povo, altamente ponderado, neste momento em que vos falamos, o país teria resvalado para uma violência com consequências incalculáveis.

Minhas Senhoras e Meus Senhores
Nos termos do nº1, do Artigo 2 da Constituição da República, a soberania reside no povo. E o Artigo 3 da nossa Lei fundamental estabelece que a República de Moçambique é um Estado de Direito, baseado no pluralismo de expressão, na organização política democrática, no respeito e garantia dos direitos e liberdades fundamentais do Homem.
Contra esses princípios consagrados na nossa Carta Magna, as instituições do Estado não têm servido ao povo moçambicano, senão a um punhado de cidadãos ligados a nomenclatura governamental. As Forças de Defesa e Segurança têm aceitado protagonizar ataques contra membros da oposição incluindo seus líderes como ficou provado nos recentes atentados bárbaros ocorridos nos dias 12 e 25 de Setembro de 2015 contra a comitiva do Presidente Dhlakama.
O Partido Frelimo, manipulando o Estado moçambicano, usa as Forças de Defesa e Segurança, à margem da sua missão constitucionalmente estabelecida, para hostilizar os seus opositores socorrendo-se para o efeito de tanques de assalto, blindados, metralhadoras, bazoocas, AK47 e granadas de gás lacrimogénio.
O vergonhoso cerco à residência do Presidente da Renamo na cidade da Beira no dia 09 de Outubro de 2015 testemunha o que acabamos de afirmar.
É momento de convidar os regressados de Nachingweia a deixarem de confundir a Luta de Libertação Nacional com a Democracia. O processo das Independências Africanas foi conjuntural, não podendo por isso este punhado de compatriotas arrogar-se a si a propriedade da Independência Nacional. Aliás, a Independência da República de Moçambique é fruto do sacrifício de todos os moçambicanos que cansados da humilhação colonial decidiram libertar-se das amarras do colonialismo, razão pela qual o 25 de Junho de 1975 foi, é e será sempre comemorado por todos os moçambicanos do Rovuma ao Maputo, do Zumbo ao ĺndico.
A Democracia moçambicana é fruto dos 16 anos da Luta heroica do povo moçambicano, liderado primeiramente por André Matade Matsangaissa, 1º Comandante-em-chefe das forças gloriosas da Renamo, cuja heroicidade recordamos no passado dia 17 de Outubro de 2015, portanto 36 anos após a sua morte em combate na Vila Paiva de Andrade, hoje Vila da Gorongosa. Essa luta foi continuada pelo Presidente Afonso Dhlakama que teve como corolário a assinatura do Acordo Geral de Paz,  que entrou no ordenamento jurídico nacional através da Lei nº 13/92 de 14 de Outubro. Este instrumento legal não foi revogado e infelizmente também não foi cumprido integralmente razão de ser de várias discórdias entre os moçambicanos.
Os pronunciamentos públicos de certos dirigentes da Frelimo, segundo os quais, o Acordo Geral de Paz acabou surpreendem negativamente aos moçambicanos que perguntam:
·       Quererá a Frelimo dizer que a Democracia aceite na mesa de negociações, em Roma, acabou?
É exactamente o incumprimento do Acordo de Paz que motiva a divergência entre nós e a Frelimo.
É também recorrente ouvi-los insinuando o desarmamento incondicional da Renamo.
Se a Frelimo tivesse respeitado o Acordo Geral de Paz nos termos do nº 8 do Protocolo V, que diz (passo a citar) a Renamo será responsável pela segurança pessoal imediata dos seus mais altos dirigentes. O Governo da República de Moçambique concederá estatuto policial aos elementos da Renamo encarregados de garantir aquela segurança, (fim de citação) hoje não estaríamos a falar deste assunto. Até aqui o Governo da Frelimo não cumpriu esta cláusula importantíssima.
Se, mais recentemente, o Governo da Frelimo tivesse implementado o Acordo de Cessação de Hostilidades Militares que prevê a reintegração e integração da força residual da Renamo na Polícia e nas Forças de Defesa e Segurança de Moçambique com o fito de ter, no país, um exército republicano, hoje a questão do desarmamento estaria ultrapassada. E não estaríamos a regredir para um Estado totalitário.
 É por isso que se questiona com que legitimidade o partido Frelimo, representado pelos membros da sua Comissão Política, exige o desarmamento incondicional sabido que ela própria está armada até aos dentes.
·       Como é que um partido armado exige o desarmamento do seu opositor?
Afinal a intenção é clara, o cerco e a invasão militares de uma propriedade privada sem mandado judicial, configurando clara violação de um dos princípios mais elementares de um Estado de Direito, com o objectivo de assassinar o Presidente Afonso Dhlakama para aniquilar a sua acção política deixaram muito claro aos olhos de todos quem se apresenta hipocritamente com a boca cheia de palavras de paz, escondendo as mãos sujas de sangue por actos de guerra.
É urgente inverter este estado de coisas.
Depois de simular vontade de conversar, garantir uma saída segura das matas de Gorongosa para a cidade da Beira, para sete horas depois verificar-se um cerco a residência do nosso Presidente os níveis de desconfiança atingiram o auge. Hoje, quem duvida que as forças armadas conjuntas mobilizadas para irem recuperar as três armas por elas perdidas aquando do segundo atentado ocorrido em Zimpinga protagonizado por uns homens armados caracterizados e outros sem farda, ostentando coletes militares estivessem a mando do Partido Frelimo? Ninguém!
O cenário gratuito pré-bélico montado na residência do Presidente Dhlakama foi a ponta do iceberg da cobardia e má-fé que a Frelimo poderia demonstrar. Não se tratou de um incidente casual.
Como deu a conhecer o Comandante Geral da Polícia, acções similares de ataque aos locais onde esteja estacionada a nossa segurança irão continuar enquanto os políticos não emitirem novas ordens a serem acatadas pelos militares. A pergunta que se coloca é: o que leva a Frelimo (que à luz do dia propala a paz) a simular boas intenções e atacar o seu adversário directo pelas costas?  
Os dois atentados frustrados e muito cobardes contra a vida do Presidente Afonso Dhlakama, configurando clara violação do direito à vida consagrado no Artigo 40 da Constituição da República de Moçambique e protegido igualmente na Declaração Universal dos Direitos do Homem fizeram cair a máscara de cobardia.

Excelências,
«Quase todos os homens podem enfrentar adversidades. Mas se quisermos testar o carácter de alguém, é dar-lhe poder.»
Estas palavras do grande democrata e presidente norte-americano Abraham Lincoln vieram-nos à memória quando nos propusemos alinhar estas ideias sobre a grave crise que Moçambique atravessa e que tanto aflige o nosso Povo.
Temos, neste mandato, um novo quadro parlamentar saído de eleições que todos sabemos não reflectiram a vontade dos cidadãos. Mais uma vez a Frelimo arrancou o poder e assumiu-o trazendo novas caras, mas os mesmos comportamentos de sempre. 
É urgente fazer vingar os princípios de um verdadeiro Estado de Direito no lugar deste Estado de partido único para que haja entendimento.
Porque é que a alternância dos partidos no Governo, que é regra em todas as democracias do mundo, é uma impossibilidade em Moçambique apesar da Frelimo nunca ter ganho eleições?  
A postura de confrontação que tem caracterizado a Frelimo depois de sucessivas fraudes eleitorais não ajuda a fazer o caminho da paz.

Excelências,
Para qualquer desarmamento só há um caminho: diálogo, negociação, entendimento. A violência gera violência.
Devemos interrogar-nos sobre as motivações que estão por detrás da postura agressiva de alguns dirigentes da Frelimo.
Porque quererão eles a guerra a qualquer custo? 
Poderá haver muitas interpretações políticas para esta atitude, que passam pela rigidez ideológica, dificuldade de assimilação das regras da democracia e gananciosa defesa dos interesses materiais do punhado de famílias que beneficiam dos negócios do Estado e dos seus privilégios.
Está à vista de todos a desigualdade gritante de condições de vida entre a classe dirigente daquele partido e a esmagadora maioria dos moçambicanos.
Este é um facto histórico, que vem dos primeiros tempos de independência e da ditadura comunista que se seguiu, acentuado ainda mais quando o simulacro de Democracia abriu portas para a economia de mercado por eles sempre rejeitado depois de décadas de estagnação e retrocesso social.
Nestes 40 anos a Frelimo não usou o Poder para servir Moçambique.                                                                                                                            
Alguns dos seus dirigentes usaram Moçambique e as suas riquezas para reforçar o Poder do partido, limitar os direitos da oposição, defraudar expectativas de desenvolvimento colectivo e viciar os resultados de sucessivos actos eleitorais.  Isto é demonstração de postura democrática?
Perante uma oposição firme e determinada que nunca baixou os braços, a Frelimo assume agora uma postura belicista para ocultar a incompetência dos seus dirigentes que não conseguem atingir as metas governativas exigidas. 

Atacam a Renamo para distrair o país de modo a não serem analisadas as denúncias de rombos financeiros, a corrupção galopante, o elevado custo de vida, os baixos salários, o recrudescimento da criminalidade com destaque para crimes hediondos como assassinato da pessoa albina para fins obscuros, venda de órgãos humanos, raptos, sequestros seguidos de pedidos de resgate milionários, lançamento de recém-nascidos em lixeiras, a queda vertiginosa do metical o que revela que a economia está mal.
Enfim, uma confrontação com a Renamo serviria de justificativa do governo da Frelimo para a sua incompetência governativa.
Felizmente, os cidadãos já perceberam quem está interessado em empurrar o país para um conflito político-militar.
É fácil, nas zonas rurais, verificar que lá vale a lei da selva, com comunidades espoliadas das suas terras para a prossecução de projectos empresariais que beneficiam alguns governantes e os seus familiares. 
A credibilidade do Estado está no seu patamar mais baixo de sempre. E até os países doadores, tradicionalmente benévolos para com os dirigentes da Frelimo, já começam à procura de fórmulas para controlar melhor os dinheiros da cooperação, que até agora entregavam directamente ao orçamento do Estado.
Neste mar de desgraças e corrupção que a Frelimo conduziu Moçambique, as violações recorrentes dos Direitos Humanos são também um tema a não negligenciar. A cultura de prestação de contas na nossa opinião é fundamental e não está enraizada. Por isso, no âmbito da nossa actividade parlamentar, julgamos que deverão ser realizadas sindicâncias e auditorias a todos os Ministérios e outras instituições públicas. Não há dúvidas de que teríamos revelações preocupantes e chocantes.

Excelências,
Importa realçar que entendimentos que põem termo a guerras e que devolvem a Paz não podem ter um ciclo de vida limitado. Para Moçambique, o Acordo Geral de Paz significou uma entrada irreversível do multipartidarismo que devia permitir a realização de eleições livres, justas e transparentes o que culminaria com a alternância governativa. Dizer que esse acordo acabou é deitar abaixo todas as conquistas havidas.
Acordos de Paz criam a esperança de melhoria da condição de vida do povo. Moçambique, estava expectante sobre o estabelecimento do Estado de Direito, das garantias e liberdades fundamentais e do funcionamento democrático das instituições numa clara demonstração de separação dos poderes. Até aqui carregamos apenas esse sonho.
Ouvindo os discursos governamentais fica-se com a sensação de que tudo vai bem no nosso país. Se esses discursos oficiais reflectissem a realidade, Moçambique seria uma súper potência na região, no continente e no mundo e a nossa moeda, o Metical, seria das moedas mais fortes. Mas porque a mentira tem perna curta, estamos na cauda do índice de desenvolvimento humano, o metical em franca derrapagem, o salário do povo não chega para nada, a Assembleia nem tem fundos para os deputados fiscalizarem a acção do executivo, os índices de pobreza incidem mais sobre as provinciais mais populosas, por sinal do centro e norte onde o povo escolhe Dhlakama e a Renamo para governar.
Se Moçambique fosse o paraíso que os dígitos lançados pela Frelimo apontam, não andaríamos de mão estendida durante 23 anos de paz a pedir financiamento para quase todos os programas de governação, e ao mesmo tempo a acusar de ingerência e tentar intimidar os parceiros de cooperação quando exigem democracia efectiva, transparência, respeito pelo povo e suas escolhas.
Se Moçambique já fosse o paraíso, não veríamos pessoas nos my love, tantos desempregados, famílias sem tecto, sem dinheiro, sem saúde, sem direito de serem governadas por aqueles em quem votaram.
Seja como for, a esperança não pode morrer e é por isso que estamos aqui. Somos pela Paz, temos energia para fazer as mudanças de que o país precisa. Somos a Renamo.
Somos representantes de muitos milhões de moçambicanos amantes da paz espalhados dentro e fora do país. Somos o maior partido de Moçambique, presente em todo e qualquer ponto do país. Somos um partido onde se entra voluntariamente e se trabalha para o bem do povo e não para alimentar interesses pessoais. 
O partido Renamo como todos sabem tem uma única liderança reconhecida e respeitada por todos. Não há alas militares ou políticas. Temos um líder carismático, que sabe que onde há vida de civis em perigo, não há espaço para heroísmos baratos e sem sentido. Mostrou-o recentemente na Cidade da Beira.
Nós somos uma família chamada Resistência Nacional Moçambicana, dirigida por Sua Excelência Afonso Macacho Marceta Dhlakama.
Aqui estamos prontos para o que der e vier em defesa do nosso povo.
Muito obrigada.
Maputo, 21 de Outubro de 2015.
Dra. Maria Ivone Rensamo Bernardo Soares

Thursday, September 10, 2015

Carta Aberta aos Participantes da III Conferencia Nacional Religiosa



 



MUNICÍPIO DE QUELIMANE
CONSELHO MUNICIPAL
PRESIDENTE
AV. Josina Machel nº558, Caixa Postal nº 68, telefax: +24213218, email: cmcqgp@gmail.com- Cidade de Quelimane

CARTA ABERTA AOS PARTICIPANTES DA III CONFERÊNCIA NACIONAL RELIGIOSA


Senhor Presidente da República de Moçambique, Excelência,
Senhor Governador da Província da Zambézia, Excelência,
Senhor Ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Excelência,
Senhores Deputados, Excelências,
Senhores Membros do Governo, Excelências
Senhores Presidentes dos Tribunais Judicial e Fiscal Provincial, Excelência,
Estimados Líderes Religiosos,


Sejam bem vindos ao solo municipal Quelimanense! Sejam bem vindos a terra da galinha a zambeziana e da mukapatha! Sejam bem vindos a terra das bicicletas e do nyambaro!

Permitam-se iniciar esta Carta Aberta dirigindo palavras de louvor e aclamação à Sua Excelência, Senhor Presidente da República, Jacinto Filipe Nhussi, entanto que o Mais Alto Magistrado da nossa Republica. As nossas palavras de louvor e aclamação são estendidas à toda prestigiosa Assembleia Religiosa que partindo de diferentes cantos do nosso país e do mundo, se juntaram a nós para partilharmos experiências, ensinamentos, princípios e valores religiosos que no dia-a-dia transmitimos aos nossos crentes, as nossas comunidades religiosas e aos nossos povos.

Agradecemos aos organizadores do evento por terem escolhido a nossa cidade, o nosso município, como sendo o altar apropriado para realização desta III Conferência Nacional Religiosa, num momento tao precioso da historia da nossa patria. Ao nossos ver, alguns factores influenciado a escolha do Município da Cidade de Quelimane para a realização deste reencontro religioso. Para além de uma opção meramente logística, relevante no contexto em que nos confrontamos com a crise financeira e os apelos da racionalidade económica e financeira, acreditamos que a vossa escolha também deveu-se ao facto da Província da Zambézia e o Município da Cidade de Quelimane desempenharem um papel importante no desenvolvimento e expansão dos princípios e dos valores religiosos da fraternidade, do amor à Deus e ao próximo. Somos uma Província religiosamente heterogénea com a capacidade de aceitarmos de forma tolerante e fraterna, todos os tipos de diferenças. Somos reconhecidos como uma Província heterogénea, pluralista, com maior número de crentes professando diferentes religiões, entre elas:
·         Católica,
·         Anglicana
·         Islâmica
·         Sião/Zione
·         Hindu
·         Religião Evangélica/Pentecostal - inclui as Igrejas Adventistas, Apostólicas, Baptistas, Evangélicas, Luteranas, Metodistas, Presbiterianas,

A província da Zambézia de que somos capital, é um verdadeiro mosaico religioso onde 40.0% da sua população professa a religião Crista na sua vertente Católica. De acordo com os dados oficiais, a população que professa a religião Islâmica representa entre dez a vinte por cento da população da Zambézia. E desta, maior parte é da zona urbana (10.8%). As outras religiões: Zione, Evangélica, Luterana, Metodista são professadas por 14.6% da população da Província. Os desafios da evangelização na província ainda persistem. Temos 15.2% da nossa população que não professa nenhuma religião. A despeito das diferenças doutrinais, as diferentes instituições religiosas existentes nesta Província estão unidas por uma visão comum do mundo que ancora toda a vida na autoridade de um ser Sagrado e num ethos compartilhado que se expressa através do amor, da paixão e da fraternidade entre os homens.

A nossa Constituição da República de Moçambique estabelece que somos um Estado laico. A laicidade do Estado assenta na separação entre o Estado e as confissões religiosas. Mesmo com esta dimensão da laicidade, precisamos de reconhecer o importante papel das confissões religiosas na moralização da sociedade moçambicana, de um lado, assim como, precisamos de reconhecer e valorizar as actividades das confissões religiosas visando promover um clima de entendimento, tolerância, paz e da fraternidade, o bem-estar espiritual e material dos cidadãos e o desenvolvimento económico e social. A análise que fizemos a este pressuposto constitucional leva ao entendimento de que, embora, Moçambique seja um Estado Constitucionalmente laico, o Estado nos seus mais diversos níveis privados e público da sua actuação funda-se nos princípios e valores religiosos da fraternidade, do amor ao próximo. Estes princípios são valores e princípios que nos inspiram para o respeito, a tolerância, o amor ao próximo, a fraternidade e a filantropia que cada um de nós, como líderes religiosos, dirigentes das instituições públicas ou privadas.

Em Moçambique, na Zambézia e em Quelimane particularmente, nos mais diversos processos históricos e políticos, as confissões religiosas desempenharam, diferentes papeis quer nos processos de desenvolvimento político, económico e social, assim como de reconciliação nacional. Refira-se que durante os conflitos armados, que terminou com a assinatura do Acordo geral de Paz e a assinatura do Acordo de Cessação de Hostilidades, as confissoes religiosas, como maior destaque para a Igreja Católica e o Conselho Cristão de Moçambique defendiam junto do governo e nao so. a política de reconciliação nacional.Por isso, no actual diálogo político em que a Paz e Estabilidade Política estão sendo ameaçadas, as Instituições Religiosas são convidadas a tornarem-se mais actuantes na busca dos caminhos da Paz e da Estabilidade Nacional. 


Neste momento crucial da historia da nossa jovem democracia, seria importante recordar a Primeira Carta Encíclica de Paulo aos Coríntios quando dizia o seguinte: ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos e não tivesse o amor, seria como o metal que soa ou como o sino que treme. A carta do Apostolo Paulo é uma das mais belas obras religiosas que encontramos na Literatura e que achamos relevante partilharmos com os membros das diversas confissões religiosas presentes nesta III Conferência Nacional Religiosa e nao so. O apóstolo Paulo inspirou-se de um antigo hino cristão e o adaptou para ajudar os leitores da carta a entenderem seu recado e transmitirem a pedagogia do amor, da fraternidade, da compaixão e da esperança. Paulo recorda-nos que o maior Dom que possa existir na vida é o amor e a fraternidade dedicados à Deus e ao Próximo.

O que Paulo afirma na sua carta dirigida aos Coríntios também está em Mateus 22, 34-40 34. Sabendo os fariseus que Jesus reduzira ao silêncio os saduceus, reuniram-se e um deles, na altura entendido como o Doutor da Lei, perguntava a Jesus Cristo para pô-lo à prova: Mestre, qual é o maior mandamento da Lei de Deus? Respondeu Jesus:
-          Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma e de toda tua inteligência. Estes são os primeiros e maiores mandamentos;
-          Amarás teu próximo como a ti mesmo.
Nesses dois mandamentos encontramos a inspiração, a fonte da luz, da esperança que orientam os profetas, as confissões religiosas. Nestes mandamentos, as instituições do Estado e os municípios devem buscar a fonte de inspiração e de actuação na defesa da fraternidade e da irmandade.

Encontramos também dentro dos pilares do Alcorão a fé da nossa religião islâmica que se opõe à exclusão, a separação, ao abandono, a discriminação e estigmatizarão do próximo. No final da Surata Al Bacará diz: Todos os crentes creem em Allah, em Seus anjos, em Seus Livros e em Seus mensageiros. Nós não fazemos distinção entre os Seus mensageiros.” (Alcorão Sagrado, 2:285). Essa ética divina invocada pelo Alcorão é seguida por todo muçulmano que visualizam todos os profetas e mensageiros com todo o respeito, porque todos foram enviados por Deus com uma só mensagem: o de adorarmos somente a Allah, e não Lhe atribuirmos parceiros. Portanto, são irmãos na convocação das pessoas para a senda de Deus.

Meus Senhores e minhas Senhoras,
Realizamos a III Conferência Nacional Religiosa num momento em que o país confronta-se com dois principais desafios nos quais em cada dia a Paz e a Estabilidade Política encontram-se ameaçadas.
O primeiro desafio tem o carácter político: nos últimos dias, adensou o clima de desconfiança e tensão que envolve a política moçambicana desde as eleições de 2014 e que levou aos confrontos armados de Julho, na província de Tete. O ambiente de tensão que estamos vivendo tem revelado que apesar da Paz alcançada em 1992 o processo de reconciliação, da consolidacao da democracia, do amor e da fraternidade nacional ainda continuam sendo frágeis. Negociamos armados, inspirados no odia, na vinganca! Negociamos para aldrabar o outro, para humilhar e espezinhar o proximo! Negociamos para derrotar ao proximo e podermos proclamar a nossa victoria! Um acordo que cria vencidos e vencedores nao e, e nem sera, a solucao para os problemas de uns e de outros! Um acordo baseado nesses principios e com toda a certeza, a materia prima para o proximo troar de armas entre irmaos! Por isso, se quisermos encontrar uma solução sustentável em relação às reivindicações apresentadas por uma ou por outra formação política, deveremos alterar o nosso paradigma de análise e observação do espectro de conflito em que o nosso sistema político pode estar atravessando. Caros líderes religiosos, caros parlamentares, membros do governo, do corpo diplomático, membros da sociedade civil amantes do povo mocambicanos. O melhor medico nao aquele que nos receita o remedio mais doce, menos amargo, ou menos doloroso, mas sim aquele que nos receita a medicacao correcta, por mais amarga ou dolorosa que seja! O melhor amigo nao aquele que nos elogia, mas sim aquele que mesmo sabendo da nossa possivel reaccao tem a coragem de nos dizer a dura verdade sobre nossos actos e pensamentos! A persistência do conflito em que o País vive e tem dificuldade de supera-lo passa necessariamente pela necessidade de superação de alguns preconceitos negativos com os quais fomos socializados desde a nossa infância, a adolescência e teimamos em ainda conviver com eles. A sociedade moçambicana precisa de desconstruir o conceito oposição=inimigo que deve ser extirpado e excluído do campo político nacional.  Precisamos de aceitar com humildade, o pensar diferente com o sentido elevado da fraternidade, do amor e carinho ao próximo! Todos, independentemente das nossas diferenças, pertencemos a este espaço, chamado Mocambique Como filhos de Deus merecemos todo o respeito, a dignidade, o amor e a concórdia. É dentro destes princípios onde enquadramos o discurso do Senhor Presidente Felipe Nhysi quando declarou-se disposto a encontrar-se com o líder da oposição para falar da Paz, da Reconciliação e do Desenvolvimento e ultrapassar o potencial de risco e da guerra. Excias, o mundo onde o nosso pais se encontra, esta numa competicao intensa entre regioes e entre paises! Enquanto nos distraimos com querelas internas, outros paises vao tomando aquele que e e deverioa ser o nosso lugar no ‘Concerto das Nacoes’! Quando acordarmos, ja o comboio do progresso tera apitado tres vezes e partido...

O segundo desafio nacional tem um carácter económico: apesar de todos esforços feitos pelo Estado e pelas confissões religiosas que lutam em prol do desenvolvimento e crescimento económico, a maior parte da população moçambicana vive com níveis de pobreza bastante alarmantes. A pobreza e a desnutrição continuam com níveis bastante elevados. Nos últimos anos, o crescimento do consumo per capita diminuiu drasticamente e a corrupção permanece alta. Nas zonas rurais prevalece a baixa produtividade em virtude do baixo acesso aos fertilizantes e insumos agrícolas, fraco acesso ao crédito e falta de infra-estruturas. Estes e outros aspectos concorreram para que o cumprimento das metas dos Objectivos do Desenvolvimento do Milénio (ODM) não fosse atingido.

A exclusao economica e uma ameaca a paz e por isso deve merecer a atencao de todos os actores, incluindo as confissoes religiosas.

Confrontados com os elementos do contexto político e económico, em que o país esta vivendo actualmente, existem três passos importantes que exigem uma reflexão:

a)    Primeiro, precisamos de desenvolver uma Campanha em favor da Fraternidade, da Concórdia e da Reconciliação Nacional. A proposta de uma Campanha em favor da Fraternidade, da Concórdia e da Reconciliação deverá envolver todos os moçambicanos sem distinção das suas cores políticas, religiosas, culturais e nem étnicas. Com base nessa campanha deveremos assumir que cada um de nós, líderes religiosos, políticos e dirigentes sejam inspirados pelo princípio do Apóstolo Marcos que nos ensina a ‘vivermos para servir o povo e não para nos servirmos do povo’.

b)    Segundo, para além de uma Campanha Nacional em favor da Fraternidade, da Concórdia e da Reconciliação, precisamos de estabelecer um compromisso colectivo entre as Religiões e o Estado para que se reflicta no respeito da Dignidade Humana, bem como na Justiça Social, no Serviço da Igreja à sociedade. Aparece a preocupação das lideranças da Igreja com o seu agir direccionando a sugestões pastorais para a vivência da Campanha da Fraternidade nos diversos locais de culto e nao so como as mesquitas, dioceses, paróquias, Sinagogas e comunidades.

c)    Terceiro, o projecto e a visão social que precisamos de estabelecer devem colocar no centro da sua agenda a importância da dignidade humana, do bem comum e da justiça social. Precisamos de reforçar o papel das Religiões e coloca-la ao Serviço da sociedade. Precisamos de reflectir muito mais o papel das lideranças da Igreja com o seu agir fraterno direccionando sugestões pastorais para a vivência da Campanha da Fraternidade.

Terminamos esta Carta Aberta reiterando que cada um dos crentes das nossas confissões religiosas; Cada um dos membros das nossas comunidades; cada um dos membros das nossas formações políticas; cada um dos membros das nossas instituições públicas ou privadas precisam do amor,da fraternidade, da justiça (social, politica e social, e da concórdia, enfim da INCLUSAO. As nossas confissões religiosas desempenham um papel importante para o alcance destes valores preciosos procurados por todos.

Os nossos crentes, as nossas comunidades, as nossas instituicoes religiosas precisam de encontrar o carácter superior do amor transformado em obras produzidas em favor dos crentes e dos povos. Por isso, cabe a cada de nós, presentes e ausentes deste fórum o compromisso colectivo para a materialização dos anseios colectivos do nosso povo e da nossa patria. Esta patria e de todos, nao devendo haver cidadaos da primeira e cidadaos da segunda!

Sintam-se em casa na paz do Senhor!


PRESIDENTE DO CONSELHO MUNICIPAL DA CIDADE DE QUELIMANE

Manuel de Araújo